Fileteira Turca: Quando Aço 1070, Latão e Madeira de Lei Viram Peça Única
Uma fileteira turca de 11 polegadas que levou de três a quatro dias entre forjamento, descanso e revenimento para nascer com inserção de latão envelhecido e suporte próprio em carbono.
NESTE GUIA
A fileteira turca em alto padrão
A peça em destaque é uma fileteira de inspiração turca com 11 polegadas de lâmina, totalizando cerca de 50 cm de comprimento. A lâmina foi forjada em aço carbono 1070, uma liga rica em manganês, e recebeu acabamento fosfatizado — tratamento que resulta naquela coloração de bronze envelhecido que dá o tom rústico à peça.
O cabo é em madeira IP de lei, com pega ergonômica elogiada por Wagner justamente pela curvatura e pelo encaixe na mão. É esse conjunto — aço fosfatizado, madeira maciça e um formato de fileteira que remete à tradição turca — que classifica a peça como “alto padrão” dentro do repertório do canal.
Latão envelhecido: a assinatura da peça
O detalhe que mais chama atenção é a inserção de latão na lâmina, com coloração de bronze envelhecido. O mesmo latão reaparece no botão (pomo) do cabo, criando uma repetição visual que amarra a peça inteira. Wagner descreve o resultado como um trabalho “mais medieval”, rústico e ao mesmo tempo impecável — a combinação de precisão técnica com uma estética propositalmente envelhecida.
Esse tipo de inserção é o que separa uma faca funcional de uma peça de colecionador: o latão não tem função de corte, é assinatura estética e prova de acabamento artesanal.
O suporte em carbono com trevo de quatro folhas
Além da bainha, a peça vem com um suporte de exibição todo em madeira, com uma ponta em aço carbono batida a frio e envelhecida propositalmente. Essa ponta foi moldada em formato de trevo de quatro folhas — um detalhe simbólico, “para dar sorte”, segundo Wagner.
O encaixe da ponta no suporte foi pensado para se soltar sem quebrar a madeira caso a peça caia — um cuidado de projeto que evita danos ao suporte durante o manuseio ou exibição, algo comum em suportes artesanais para peças de destaque.
Dos três aos quatro dias de forja
Wagner detalha que essa fileteira levou de três a quatro dias inteiros de trabalho, contando o forjamento, o descanso do aço, o revenimento (etapa que segue a têmpera) e o acerto da curvatura da lâmina — só depois disso é que entra a inserção do latão. É um lembrete de que uma peça “exótica e única” como essa carrega várias etapas sequenciais, cada uma com seu tempo de descanso entre si.
Cuidados com o latão
Wagner reforça um ponto de manutenção específico para peças com inserção de latão: depois de usar, não guarde a faca direto na bainha de madeira ainda suja. O recomendado é limpar a peça, passar um pano (“um olhinho”) e, se possível, embrulhar em papel filme antes de guardar — um cuidado extra que evita manchas e oxidação do latão em contato prolongado com a madeira.
Peça única: por que não existe outra igual
Encerrando a apresentação, Wagner é enfático: cada peça forjada tem sua própria identidade, então não existe uma “igual” a essa fileteira — apenas peças parecidas. É a lógica central da cutelaria artesanal exótica que o canal cultiva todo dia: peças pensadas para quem quer algo diferenciado no acervo, seja para o dia a dia, seja para exibir na área da churrasqueira.
(Vídeo: Caçadores de Facas · @Cacadoresdefacas)