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Damasco Inglês, Kukri Nepalês e o Arsenal Tático de um Mega Colecionador

Coleção & Mercado DAMASCO

Nas partes 5 e 6 da visita à coleção de Nalin, o damasco em exibição veio de peças forjadas no Reino Unido, adquiridas pelo grupo dos caçadores há cerca de cinco anos.

NESTE GUIA
  1. 01Damasco forjado no Reino Unido e o macete de limpeza
  2. 02A família Kukri: leve e pesado, herança dos Gurkhas do Nepal
  3. 03Peças táticas brasileiras: da faca de trincheira da Imbel ao protótipo VCNA
  4. 04Peças forjadas pesadas: espessuras de até 15 mm e cabo invertido
  5. 05Canivetes em damasco: o passarinho esculpido e o monobloco sem parafusos
  6. 06A peça de Ricardo Vilar e a Escorpião Rei

Damasco forjado no Reino Unido e o macete de limpeza

Wagner destaca que parte do damasco da coleção de Nalin não é nacional: são peças forjadas no Reino Unido, em regiões próximas à Inglaterra, adquiridas pelo grupo dos caçadores há cerca de cinco anos. É esse lote que reúne uma Hunter e outras peças de damasco tratadas como raridades dentro do acervo.

Durante a conversa, Wagner ensina o macete que usa para deixar o damasco bonito de novo: pega uma lixa d’água de grão 1200 ou 2000 (ele prefere 2000), aplica WD40, deixa secar e passa uma esfregada leve, sempre tomando cuidado para não relar no fio. O movimento certo é do dorso para a lâmina, nunca ao contrário, e a peça deve ficar apoiada no chão ou numa superfície, não na mão, para evitar cortes.

Ele reforça que aço carbono sempre vai enferrujar em contato com a umidade — ‘carbono é carbono, ferrugem não tem como’ — e que esse procedimento resolve rapidinho os pingos de ferrugem que aparecem na lâmina, devolvendo o brilho sem precisar de retratamento completo.

A família Kukri: leve e pesado, herança dos Gurkhas do Nepal

Ao chegar num par de facões curvos, Nalin confirma a origem para Wagner: o kukri (chamado por eles de ‘facão cucre’) vem do Nepal e é a arma tradicional dos soldados gurkhas nepaleses. A curvatura característica da lâmina é o que define a família.

O par mostrado traz duas propostas de uso: uma versão leve, com cerca de 3 mm de espessura, e uma versão pesada/bruta, com cerca de 6 mm. Ambas são em aço inox, construção full tang, cabo fixado com rebites (‘munições no cabo’), pensadas para tarefas mais robustas, como quebrar um pedaço de madeira.

Mais à frente no lote, aparece um kukri ainda mais extremo: forjado, com mais de 10 mm de espessura e cerca de 2 kg, bolster integral e cabo invertido — um contraponto que mostra o quanto a família kukri varia entre uma peça leve de uso e uma ferramenta de corte pesado.

Peças táticas brasileiras: da faca de trincheira da Imbel ao protótipo VCNA

O lote tático abre com uma faca de trincheira da Imbel, enrolada em paracorde, que Nalin carrega na própria caminhonete — descrita por Wagner como peça de lida, não de vitrine. Na sequência aparecem uma baioneta IA2 verde-oliva e uma baioneta AMZ preta, ambas Imbel, com Nalin relembrando que já revendeu armamento da marca no passado.

Wagner pontua que esse tipo de baioneta passa por testes extremos de resistência (como suportar o peso de um veículo blindado por cima sem quebrar), reforçando o caráter indestrutível do material. Ao lado, uma peça marcada com o símbolo do 47º BPMI e uma FASB numerada completam esse conjunto de referência militar.

O destaque histórico fica com a VCNA: um projeto pensado e desenhado pelos próprios caçadores, depois construído e testado pelo cuteleiro do grupo. Algumas unidades iniciais não passaram no teste de pendurar peso e quebraram, o que levou a uma revisão na cura do aço. A versão corrigida resultou no protótipo 00 e na peça numerada 001 (chamada de VCNA 2.0), um raro caso de faca nascida da colaboração direta entre colecionadores e maker.

Peças forjadas pesadas: espessuras de até 15 mm e cabo invertido

Um segundo lote de facões forjados (‘ignorantes’, na gíria do grupo) traz espessuras acima de 10 mm, chegando a 15 mm numa peça numerada e assinada (010). Uma delas exibe cabo invertido, construção que Wagner trata como prova de domínio técnico do cuteleiro sobre o material.

O ponto alto da leva é o White Eagle 47 Special (edição de 21 anos), peça numerada 001, com lâmina de 16 polegadas (Wagner corrige em vídeo o número inicial de 14 para 16). É descrita como extremamente afiada e funcional, com ergonomia de cabo elogiada como ‘perfeição’ na hora de segurar.

São facões pensados para trabalho pesado — rachar, fazer lenha, tarefas de força — e Wagner reforça o respeito que esse tipo de lâmina exige por causa do fio extremamente afiado combinado ao peso da peça.

Canivetes em damasco: o passarinho esculpido e o monobloco sem parafusos

A parte de canivetes traz peças em damasco de origem britânica (Reino Unido / País de Gales), incluindo uma com um pássaro esculpido pelo cuteleiro diretamente no desenho do aço damasco — combinação de habilidade de forja com trabalho de gravação.

O destaque da leva é o ‘canivete do caçador 001’: um monobloco inteiramente em inox, sem um único parafuso, usinado de uma peça só. Wagner reage à raridade da peça, chamando-a de relíquia dentro da coleção.

Outros canivetes combinam lâmina em damasco com ferragem em latão, incluindo um de cabo no estilo sorocabano. Há ainda um canivete em ‘damascão puro’, mais pesado, que Nalin chegou a usar no dia a dia na cintura até o peso tornar o uso contínuo pouco prático.

A peça de Ricardo Vilar e a Escorpião Rei

Entre as peças de uso pessoal, Nalin mostra uma faca feita por Ricardo Vilar, produzida em apenas duas unidades: uma para ele e outra para o primo de sua esposa, sargento da FAB (Força Aérea Brasileira), em homenagem aos 100 anos de aviação no Brasil. É uma peça que Nalin usa constantemente no dia a dia, descrita como totalmente operacional.

Logo depois aparece a ‘Escorpião Rei’, faca em formato de escorpião ligada à turma de pescaria de Nalin (ele até tem uma camiseta estampada com o mesmo desenho), e um tantō com o dorso inteiro trabalhado em damasco.

O conjunto fecha a parte seis reforçando o tom da visita: peças de uso real, com histórico pessoal e de encomenda direta a cuteleiros, e não apenas itens de vitrine.

O VÍDEO DESTE GUIA

(Vídeo: Caçadores de Facas · @Cacadoresdefacas)

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