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Gambiarra de Mestre: os Bastidores da Legacy of the Blade 001

Forja & Bastidores TÊMPERA AÇO 1070 AÇO 5160

Na Parte 2 da forja da Legacy of the Blade 001, o cutelheiro convidado Thiago Megarver revela por que 98% das ferramentas da sua oficina são gambiarras feitas por ele mesmo — do dispositivo de encaixe de dedo ao guarda-lixa caseiro.

NESTE GUIA
  1. 01Do Desbaste ao Design: Moldando a Lâmina na Lixadeira de Cinta
  2. 02Segurança em Primeiro Lugar: Luva e Grão de Lixa
  3. 03Gambiarra: Fabricando as Próprias Ferramentas
  4. 04Da Caldeiraria e Serralheria à Cutelaria
  5. 05Tempera sem Segredo: o Teste do Ímã

Do Desbaste ao Design: Moldando a Lâmina na Lixadeira de Cinta

Depois de cortada na lixadeira, a peça da Legacy of the Blade 001 chega bem bruta a essa etapa. Thiago começa então o acabamento na lixadeira de cinta, modelando o perfil da lâmina e deixando o dorso levemente curvado — uma escolha estética que dá um design diferente à peça.

Como ele explica, muito do aspecto de uma lâmina está no visual, e é aí que mora a diferença entre a cutelaria artesanal e a industrial: como cada peça é feita totalmente à mão, sem corte a laser, nenhuma lâmina sai exatamente igual à outra — por mais que o cutelheiro tente repetir o mesmo modelo. Essa variação natural é o que dá identidade própria a cada peça, e é isso que Thiago considera o diferencial do trabalho artesanal.

Segurança em Primeiro Lugar: Luva e Grão de Lixa

Thiago trabalha com uma luva de soldador (luva de vaqueta), usada tanto na solda quanto na lixadeira de cinta. A recomendação é sempre usar a luva porque, se o dedo escorregar na lixa em movimento, ela arranca pedaço do dedo.

Outro ponto de atenção é a granulação da lixa: ele usa uma lixa de grão 36, já gasta, reservada para desbaste pesado. Conforme o grão sobe — 50, 80, 120 — a lixa vai refinando a peça e dando acabamento e polimento, até chegar numa qualidade mais fina.

Há ainda o risco da lixa estourar na lixadeira de cinta, o que já causou vários acidentes na cutelaria quando a lixa solta bate no rosto de quem está trabalhando. Por isso, Thiago construiu ele mesmo uma proteção na máquina: quando a lixa estoura, ela bate no anteparo em vez de atingir o rosto.

Gambiarra: Fabricando as Próprias Ferramentas

Segundo Thiago, 98% de tudo que existe na sua oficina foi fabricado por ele mesmo — incluindo os dispositivos usados para fazer os encaixes de dedo na lâmina. É o caso também da prensa que aparece no vídeo, ainda em montagem, faltando apenas a parte hidráulica.

Ele explica a lógica: é possível comprar dispositivos prontos no mercado, mas o custo é maior. Quem sabe fazer e tem conhecimento técnico de solda consegue adaptar as ferramentas conforme a própria necessidade — e gastar menos. Já quem não tem essa condição, precisa comprar pronto, mesmo que saia mais caro.

Da Caldeiraria e Serralheria à Cutelaria

Antes de virar cutelheiro, Thiago sempre trabalhou no ramo da metalurgia, com solda e caldeiraria — área que envolve desenvolver projetos e estruturas, como a própria mesa da oficina, que ele fez com técnicas de serralheria.

Esse histórico fez a transição para a cutelaria ser menos difícil, já que o hábito de se virar e fabricar os próprios dispositivos — a “gambiarra”, como ele mesmo chama — já fazia parte do seu dia a dia profissional antes mesmo de pegar numa lâmina.

Tempera sem Segredo: o Teste do Ímã

Para aços simples como o 1070 e o 5160, Thiago afirma que a têmpera não tem segredo. Ele usa um recipiente cheio de óleo diesel como meio de resfriamento.

O método para saber o ponto certo de temperar é o teste do ímã: aquece-se a peça até o ponto em que ela para de grudar no ímã — sinal de que perdeu a magnetização — e nesse momento ela é mergulhada no óleo. Foi assim que Thiago aprendia no início da carreira, encostando o ímã do lado da peça aquecida.

Com o tempo e a experiência, o cutelheiro passa a reconhecer o ponto de têmpera só pelo aspecto visual do aço aquecido, sem precisar mais do ímã — mas ele recomenda usar o ímã como apoio para quem está começando.

O VÍDEO DESTE GUIA

(Vídeo: Caçadores de Facas · @Cacadoresdefacas)

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